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Há três meses estava sentada com a minha amiga Teresa, a tomar café no nosso café do costume em Campo de Ourique, em Lisboa, quando ela me confessou: “Cornelia, quero voltar a conhecer alguém, mas não faço ideia de como começar a procurar parceiro aos 50.” Estava divorciada há dois anos, tinha uma vida plena, com o seu clube de leitura e a filha, mas as noites estavam a tornar-se cada vez mais longas. Reconheci-me logo. Foi exatamente nesse ponto que eu própria estive há uns anos. Hoje mostro-te os sete passos concretos que me ajudaram na altura e que entretanto passei a dezenas de amigas.

Passo 1: O teu balanço honesto – o que queres realmente?

Antes de criares um perfil seja onde for, reserva uma noite tranquila. Eu gosto de me sentar no sofá com um caderno e um copo de vinho tinto. Escreve o que esperas de uma nova relação. Não o que achas que deverias querer, mas o que queres mesmo. Queres voltar a viver com alguém ou chegam-te fins de semana em conjunto? Desejas um companheiro de viagem ou alguém para ir a concertos e exposições?

Segundo um estudo da Hochschule Fresenius (Alemanha) de 2023, 68% das pessoas com mais de 50 anos afirmam que, numa nova procura de parceiro, definem prioridades diferentes das que tinham quando eram mais novas. No meu caso, foi a perceção de que já não preciso de companhia vinte e quatro horas por dia, mas sim de alguém que valorize a minha independência e, ainda assim, esteja lá de forma fiável.

Passo 2: Escolher a plataforma certa – nem todas são para ti

Quando quis recomeçar aos 50, cometi o erro de me inscrever em todo o lado ao mesmo tempo. Foi pura sobrecarga. Hoje aconselho: escolhe primeiro uma plataforma que se adeque ao teu ritmo e aos teus objetivos. Se queres ir com calma e dás valor a perfis detalhados, sites de encontros clássicos como o Parship ou o ElitePartner são uma boa escolha. Se preferes algo mais descomplicado, aplicações como o Tinder ou o Bumble podem funcionar.

Para quem procura especificamente um parceiro com um estilo de vida semelhante, o lifestyle dating também pode ser interessante. Eu própria tive boas experiências com o MySugardaddy, porque lá andam pessoas que sabem o que querem e não fazem joguinhos. O importante é: escolhe de forma consciente, não ao acaso.

Passo 3: O teu perfil – mostra-te como és

É aqui que a maioria falha, porque se finge demasiado ou revela muito pouco de si. O teu perfil deve ser autêntico, sem expores a tua vida inteira. Tenho três dicas concretas:

  • Escolhe uma fotografia recente que te mostre numa situação natural – a minha foi tirada num passeio junto ao Tejo, estou a rir, visto a minha camisola preferida e pareço-me comigo como sempre
  • Descreve de forma concreta o que gostas de fazer, em vez de usares lugares-comuns – não “Gosto de viajar”, mas “No outono passado estive três semanas na Toscana, de carro alugado”
  • Menciona também uma pequena mania ou peculiaridade – isso torna-te humano e interessante, no meu caso era a coleção de livros de cozinha antigos

O teu texto de perfil deve ter entre 150 e 250 palavras. Mais curto parece desleixado, mais longo sobrecarrega. E, por favor: sem lista negativa do que não queres. Isso passa uma imagem amargurada.

Os três erros de perfil mais comuns

Evita fotografias com mais de um ano. Evita fotografias de grupo em que não se te reconhece com clareza. E evita alcunhas como “Raio de Sol62” – o teu nome próprio verdadeiro parece mais adulto e mais digno de confiança.

Passo 4: As primeiras mensagens – do perfil à conversa

Procurar parceiro aos 50: 7 passos até ao primeiro encontro

Quando alguém te escreve ou quando queres tomar a iniciativa, aplica-se uma regra simples: sê concreto e faz uma pergunta. “Olá, como estás?” não leva a lado nenhum. Melhor: “Vi que gostas de caminhadas. Conheces a Rota Vicentina, no Alentejo? Estive lá em maio passado e continuo encantada.”

Dá à conversa de três a cinco mensagens de tempo para perceberes se há química. Se, passado esse tempo, não surgir uma troca natural, tudo bem. Não tens de combinar com toda a gente. Antigamente eu gastava demasiada energia em conversas que, desde o início, me pareciam arrastadas. Hoje sei: quando é a sério, percebe-se depressa.

Passo 5: Do chat ao telefonema – a voz como teste de realidade

Antes de me encontrar com alguém, telefono sempre pelo menos uma vez. Isso já me poupou várias vezes muito tempo e desilusões. A voz revela tanto: humor, temperamento, se alguém realmente ouve ou só faz monólogos. Costumo propor, depois da quarta ou quinta mensagem: “Estou a gostar mesmo da nossa troca de mensagens. Queres falar um bocadinho ao telefone? Amanhã à noite estou disponível a partir das 19h.”

O telefonema deve durar entre 15 e 30 minutos. Nem menos, senão fica demasiado superficial. Nem mais, senão não há nada para contar no primeiro encontro. Habituei-me a andar pela casa enquanto falo – tira-me o nervosismo e soo mais natural.

Passo 6: Planear o primeiro encontro – descontraído e seguro

Agora fica concreto. Encontrar parceiro depois dos 50 significa também planear com confiança. Proponho sempre um local público, que não seja demasiado barulhento e onde me sinta bem. A minha preferência em Lisboa é uma pastelaria acolhedora em Campo de Ourique – simpática, luminosa, bons bolos, e, se for preciso, pode-se sair educadamente ao fim de 45 minutos sem que pareça estranho.

Combina o encontro para a tarde ou o início da noite, não tarde pela noite dentro. Isso tira a pressão e sinaliza que queres conhecer a pessoa, não mais do que isso. Digo sempre com clareza: “Vamos tomar um café, às 16h de sábado. Depois tenho outro compromisso.” Assim tens uma saída elegante, caso não resulte.

Para mais inspiração sobre o que deves ter em conta no primeiro encontro, dá uma vista de olhos ao meu artigo sobre comunicação clara sem exigências.

Passo 7: Depois do encontro – refletir com honestidade e decidir

Independentemente de como correu o encontro: dá a ti própria 24 horas para pensar antes de reagires. Não por tática, mas porque só então sabes realmente o que sentes. Anoto sempre três coisas: o que gostei? O que me incomodou? Quero voltar a ver esta pessoa?

Se sim: escreve uma mensagem honesta e simpática. “Gostei muito do nosso encontro e gostava de te voltar a ver. Na próxima semana apetece-te um passeio pelo Jardim da Estrela?” Se não: di-lo com clareza e respeito. “Obrigada pela tarde simpática. Percebi que a química não funciona para mim e quero ser honesta. Desejo-te tudo de bom.” Fazer ghosting é cobardia e está abaixo da nossa dignidade.

Se, depois de um primeiro encontro bem-sucedido, te perguntares como podem continuar juntos, talvez te ajude o meu artigo sobre encontrar o equilíbrio na primeira viagem a dois.

O que fazer se não resultar logo?

Procurar parceiro aos 50: 7 passos até ao primeiro encontro

Começar nos encontros online depois dos 50 exige por vezes paciência. Na altura precisei de sete encontros até conhecer alguém com quem tive uma relação mais longa. E isso foi perfeitamente normal. Se notares que estás a ficar frustrada, faz uma pausa. Desliga-te durante duas semanas, encontra-te com amigas, dedica-te aos teus passatempos.

Nessas pausas ganhei muitas vezes nova energia e voltei com um olhar renovado. Por vezes também ajuda rever mais uma vez o próprio perfil ou experimentar outra plataforma. Se te perguntas como podes conhecer pessoas novas também offline, vê o meu artigo sobre experiências partilhadas a cozinhar.

Os erros mais importantes que deves evitar

Nos últimos anos acompanhei muitas mulheres que queriam recomeçar depois dos 50. Encontrei sempre os mesmos obstáculos. Primeiro: expectativas demasiado altas demasiado depressa. Não vais conhecer logo o grande amor, e está tudo bem. Segundo: fingir ou apresentar-se mais bonita do que se é. Isso paga-se, o mais tardar, no primeiro encontro. Terceiro: escrever durante demasiado tempo sem nos encontrarmos. Depois de duas semanas de chat sem telefonema nem encontro, na maioria das vezes perde-se o interesse.

Quarto: comparar-te com os outros. A tua amiga encontrou alguém ao fim de três semanas? Que bom para ela. O teu ritmo é o teu ritmo. E quinto: deixar a crítica interior falar demasiado alto. Se te apanhares constantemente a pensar “Sou demasiado velha, demasiado gorda, demasiado aborrecida”, lê o meu artigo sobre como calar a crítica interior.

Perguntas frequentes sobre começar a procurar parceiro aos 50

Como começo a procurar parceiro aos 50 se nunca usei encontros online?

Começa com uma única plataforma que tenha boa reputação e atraia muitos utilizadores com mais de 50. Lê guias, pede ajuda a uma amiga com o texto do perfil e dá-te duas semanas para te habituares antes de julgares.

Por onde é melhor começar a procurar parceiro aos 50?

Começa com um balanço honesto dos teus desejos e depois escolhe uma plataforma que se adeque aos teus objetivos. Os sites de encontros clássicos são adequados para uma procura séria, as plataformas de lifestyle para pessoas com ideias claras sobre o estilo de vida em conjunto.

Quanto tempo demora do perfil ao primeiro encontro?

No meu caso, demorou normalmente duas a três semanas: uma semana a escrever, um telefonema e depois planear o encontro. Se demorar bastante mais, muitas vezes um dos lados perde o interesse.

O que visto para o primeiro encontro?

Algo em que te sintas bem e que corresponda ao teu estilo habitual. Eu uso normalmente umas boas calças de ganga, uma blusa bonita e sapatos confortáveis. Disfarces estão fora de questão.

Como reconheço perfis pouco sérios?

Repara em fotografias artificialmente perfeitas, informações muito vagas, declarações de amor rápidas e pedidos de dinheiro. As pessoas sérias têm paciência e fazem perguntas sobre ti.

A minha conclusão: Tu consegues, um passo de cada vez

Começar a procurar parceiro aos 50 não é uma corrida de velocidade, mas um processo. Podes estar nervosa, cometer erros e até ficar frustrada. Mas também podes ter orgulho em ti por teres a coragem de tentar. A propósito, a minha amiga Teresa teve o primeiro encontro seis semanas depois da nossa conversa no café. Não deu em nada sério, mas disse-me mais tarde: “Só saber que sou capaz deu-me tanta autoconfiança.”

Usa estes sete passos como orientação, mas segue sempre também a tua intuição. A pessoa certa vai valorizar que sejas autêntica, não perfeita. E, sinceramente: aos 50 temos finalmente a liberdade de já não nos vergarmos. Aproveita-a. Encontrar parceiro depois dos 50 significa sobretudo encontrar alguém que combine com a vida que construíste. Não o contrário. Boa sorte no teu caminho – estou a torcer por ti.